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O que faz um(a) Engenheiro(a) de Petróleo e Gás?

Também conhecido como: Petroleum Engineer, Engenheiro(a) de Reservatórios, Engenheiro(a) de Perfuração, Engenheiro(a) de Produção (Upstream)

Em 1 minuto

Profissional registrado no CREA que aplica conhecimentos de engenharia à exploração, produção, processamento e transporte de petróleo e gás natural. Atua desde a avaliação de viabilidade de poços e gestão de reservatórios até a operação de plataformas offshore e refinarias, garantindo segurança, eficiência e conformidade regulatória com as normas da ANP.

O que faz um(a) Engenheiro(a) de Petróleo e Gás

Principais responsabilidades

  • Avaliar e caracterizar reservatórios de petróleo e gás natural
  • Planejar, supervisionar e otimizar a perfuração e completação de poços
  • Desenvolver simulações de reservatórios para maximizar a recuperação de hidrocarbonetos
  • Monitorar e otimizar a produção de poços e instalações onshore e offshore
  • Elaborar projetos de engenharia para unidades de processamento e transporte
  • Garantir conformidade com normas regulatórias da ANP e legislação ambiental
  • Analisar riscos operacionais e implementar planos de segurança
  • Elaborar relatórios técnicos, laudos e Anotações de Responsabilidade Técnica (ART)

Entregáveis típicos

Relatórios de avaliação de reservatórios e estimativa de reservasProjetos de perfuração e programas de poçosSimulações de reservatórios e planos de desenvolvimento de camposRelatórios de produção e análise de desempenho de poçosLaudos técnicos e ARTs (Anotações de Responsabilidade Técnica)Estudos de viabilidade econômica de E&PPlanos de gestão de riscos e segurança operacional

Áreas de atuação e setores

Exploração (E&P) — prospecção e avaliação de novas jazidasProdução — operação e otimização de poços onshore e offshoreEngenharia de Reservatórios — simulação e gestão de reservatóriosPerfuração e Completação de PoçosRefino e Processamento de Gás NaturalTransporte e Distribuição (dutos, navios-tanque)Segurança Operacional e Gestão de RiscosConsultoria Técnica e Avaliação de AtivosPesquisa e Desenvolvimento (P&D)Regulação e Fiscalização (ANP)

Onde se trabalha

Empresas petrolíferas integradas (Petrobras, Enauta, Pré-Sal Petróleo S.A.)Empresas de serviços de perfuração e completaçãoRefinarias e indústrias petroquímicasEmpresas de engenharia e consultoria de O&GÓrgão regulador ANP (Agência Nacional do Petróleo)Fornecedores de equipamentos e tecnologia para o setorEnsino superior e centros de pesquisa (CENPES/Petrobras)

Formação e requisitos

Graduação
Bacharelado em Engenharia de Petróleo ou Engenharia de Petróleo e Gás
Duração
5 anos
Modalidade
Predominantemente presencial; exige práticas laboratoriais, atividades em campo e estágio supervisionado obrigatório conforme as DCNs de Engenharia (Resolução CNE/CES Nº 2/2019).
Exigência legal
Registro obrigatório no CREA (Conselho Regional de Engenharia e Agronomia) da jurisdição de atuação, conforme a Lei Nº 5.194/1966. O exercício da profissão sem registro constitui ato ilegal. A lei estabelece remuneração mínima não inferior a 6 vezes o salário mínimo regional. Atividades em Exploração e Produção (E&P) são reguladas pela ANP (Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis), criada pela Lei Nº 9.478/1997. Operações no pré-sal seguem as disposições da Lei Nº 12.351/2010.

Certificações relevantes

  • Registro no CREA (Habilitação Profissional) · CREA Estadual / Sistema CONFEAAlta
  • Petroleum Engineering Certification — SPE · Society of Petroleum Engineers (SPE)Alta
  • Petrel Reservoir Engineering Certification · SLB (Schlumberger)Alta
  • Pós-Graduação em Engenharia de Petróleo · UNICAMP / UFF / UFRNMédia

Habilidades essenciais

Técnicas

  • Engenharia de reservatórios e simulação numérica
  • Perfuração direcional e completação de poços
  • Geologia e geofísica aplicada ao petróleo
  • Processamento de gás natural e refino básico
  • Termodinâmica e mecânica dos fluidos
  • Normas ANP e legislação de O&G
  • Inglês técnico para leitura de documentação e relatórios internacionais

Comportamentais

  • Pensamento analítico e resolução de problemas complexos
  • Trabalho em equipes multidisciplinares
  • Gestão de projetos sob pressão e em ambientes remotos
  • Comunicação técnica clara
  • Ética profissional e responsabilidade com segurança operacional

Ferramentas

  • Eclipse / CMG
  • Petrel
  • WellPlan / Landmark
  • PIPESIM / OLGA
  • AutoCAD e softwares de engenharia de plantas industriais
  • Python / MATLAB para automação e análise de dados de produção
  • SAP para gestão de manutenção e operações

Trajetória de carreira

  1. 1
    Jr
    Engenheiro(a) Júnior
    0–3 anos

    Operação assistida de poços, relatórios de produção, aprendizado de softwares setoriais

  2. 2
    Pl
    Engenheiro(a) Pleno
    3–7 anos

    Autonomia em projetos de poços, simulações de reservatório, liderança de equipes técnicas pequenas

  3. 3
    Sr
    Engenheiro(a) Sênior
    7–12 anos

    Estratégia de desenvolvimento de campos, avaliação de ativos, responsabilidade técnica de projetos complexos

  4. 4
    Lead
    Gerente/Especialista Principal
    12+ anos

    Gestão de portfólio de campos, liderança de times multidisciplinares, decisões de investimento em E&P

JúniorPlenoSêniorEspecialista/Gestor

Especialista Técnico

  • Júnior → Engenharia de produção e monitoramento de poços
  • Pleno → Simulação de reservatórios e planejamento de perfuração
  • Sênior → Avaliação de reservas e estratégia de recuperação avançada (EOR)
  • Principal → Referência técnica da empresa, publicações SPE

Gestão e Liderança

  • Coordenação de equipes de engenharia de campo
  • Gerência de projetos de desenvolvimento de campos
  • Direção de operações de E&P e negociação com parceiros e reguladores
  • Liderança de joint ventures e contratos de partilha de produção

Quanto ganha um(a) Engenheiro(a) de Petróleo e Gás

NívelSalário médio (mês)Experiência
JúniorR$ 12.8000–2 anos; faixa R$ 12.600–13.000
PlenoR$ 16.9002–5 anos; faixa R$ 16.800–17.000
SêniorR$ 21.8755+ anos; faixa R$ 21.750–22.000 — inclui adicional de embarque offshore; base onshore fica abaixo do teto CAGED de R$ 20.350

Média geral: R$ 14.414/mês · Fonte: Salário.com.br (CAGED — CBO 214525) e Glassdoor Brasil · Coleta: 2026-01

  • Dados baseados no CBO 214525 (Engenheiro Químico — Petróleo e Petroquímica), classificação CAGED que engloba profissionais de petróleo e derivados
  • Piso salarial CAGED: R$ 6.089,17; mediana: R$ 13.409; teto: R$ 20.350
  • Petrobras (2026): base nível 806 de R$ 13.664,76; com benefícios e PLR administrativo ~R$ 23.014; com embarque/sobreaviso ~R$ 30.776
  • Profissionais em regime de embarque (offshore) recebem adicionais significativos de periculosidade e sobreaviso
  • Bacia de Santos (pré-sal) e Bacia de Campos concentram as maiores remunerações do setor

Mercado e tendências

Crescimento anual
estável com ciclos de alta em períodos de preço do barril elevado
Vagas ativas
concentradas em RJ (Macaé e capital), RN e CE
Tendência salarial
salários reais estáveis; adicionais de embarque offshore ampliam pacote total
  • O pré-sal brasileiro (Bacia de Santos) consolidou o Brasil como produtor relevante; a Petrobras projeta crescimento de produção com novos FPSOs contratados
  • A transição energética amplia a demanda por engenheiros de petróleo em projetos de captura e armazenamento de carbono (CCS) e hidrogênio
  • Mercado concentrado: Rio de Janeiro e Macaé (RJ) são os principais polos de emprego, seguidos de Natal (RN) e Fortaleza (CE) para campos terrestres
  • Regime de embarque offshore (14x14 ou 28x28 dias) é padrão e garante adicionais de periculosidade e sobreaviso significativos
  • ANP e PPSA (Pré-Sal Petróleo S.A.) são empregadores públicos relevantes para quem busca estabilidade no setor regulatório

Tendências para os próximos anos

Expansão do pré-sal com novos FPSOs e licitações da ANP mantém demanda por engenheiros de reservatórios e perfuração
Captura e armazenamento de carbono (CCS) reutiliza competências de simulação de reservatórios em projetos de descarbonização
Digitalização do setor: gêmeos digitais de reservatórios e uso de IA para previsão de produção e manutenção preditiva
Hidrogênio baixo carbono e gás natural como combustível de transição ampliam o mercado para engenheiros de processamento de gás
Crescente exigência de ESG e conformidade ambiental eleva demanda por profissionais com formação em gestão de riscos ambientais no setor

Mitos e verdades

Mito

Engenheiro de Petróleo só trabalha na Petrobras

A Petrobras é a maior empregadora, mas há dezenas de operadoras independentes (Enauta, 3R Petroleum), prestadoras de serviços (SLB, Halliburton, Baker Hughes), consultorias e o órgão regulador ANP que também contratam esses profissionais

Verdade

O registro no CREA é obrigatório para exercer a profissão

A Lei Nº 5.194/1966 exige registro obrigatório no CREA. Exercer atividades de engenharia sem registro configura ato ilegal e sujeita o profissional a sanções administrativas e civis

Mito

Com a transição energética, a carreira está em extinção

O petróleo e o gás natural seguem essenciais na matriz energética global até pelo menos 2040 segundo projeções da AIE. No Brasil, o pré-sal ainda tem décadas de exploração planejada; além disso, competências de engenharia de reservatórios migram para projetos de armazenamento de CO₂ (CCS) e hidrogênio

Verdade

Trabalhar em plataformas offshore implica regime de embarque com períodos de afastamento

O trabalho offshore segue escalas como 14x14 (14 dias embarcado, 14 de folga) ou 28x28. Isso garante adicionais de periculosidade e sobreaviso que podem elevar o salário total a valores significativamente acima da base

Como começar

  1. 1Concluir graduação em Engenharia de Petróleo (5 anos) em instituição com laboratórios e convênios com o setor
  2. 2Registrar-se no CREA da jurisdição de atuação ao obter o diploma
  3. 3Realizar estágio em empresa do setor de O&G (Petrobras, prestadoras de serviço) durante a graduação
  4. 4Desenvolver inglês técnico fluente — a literatura técnica e contratos internacionais são majoritariamente em inglês
  5. 5Buscar treinamentos em softwares de simulação de reservatórios (Petrel, Eclipse) ainda na graduação
  6. 6Candidatar-se a programas de trainee e jovem engenheiro de grandes operadoras e prestadoras de serviço
  7. 7Ingressar em associações técnicas como a SPE (Society of Petroleum Engineers) para networking e acesso a publicações

Quem já trabalha na área

Entrei na área por um programa de trainee logo após me formar pela UFF. O que mais me surpreendeu foi a relevância do inglês técnico desde o primeiro dia — toda a documentação de simulação de reservatórios é em inglês. Hoje, com dois anos de carreira, já tenho autonomia para rodar modelos de simulação e apresentar resultados para a equipe de geologia.
Fernanda MagalhãesEngenheira de Reservatórios Júnior · Rio de Janeiro-RJ
Trabalho embarcado em escala 14x14 há quatro anos. A remuneração é muito boa — o adicional de embarque faz diferença real no salário total. O segredo foi investir cedo em softwares como WellPlan e em cursos de perfuração direcional. O mercado de prestadoras de serviço (não só Petrobras) é muito maior do que os recém-formados imaginam.
Carlos Eduardo TeixeiraEngenheiro de Perfuração Pleno · Macaé-RJ
Atuo em campos terrestres no Rio Grande do Norte. A variedade de problemas é enorme — desde otimização de levantamento artificial até gestão de BSW em campos maduros. Em 10 anos de carreira, o registro ativo no CREA e a emissão correta de ARTs foram sempre fundamentais para minha credibilidade técnica e para a empresa.
Beatriz NoronhaEngenheira de Produção Sênior · Natal-RN

Perguntas frequentes

O que faz um(a) Engenheiro(a) de Petróleo e Gás no dia a dia?

Dependendo da especialidade, o profissional avalia e caracteriza reservatórios (simulações numéricas), planeja e supervisiona a perfuração de poços, monitora a produção de campos onshore e offshore, elabora projetos para unidades de processamento de gás e refino, e garante conformidade com as normas da ANP. Emite ARTs (Anotações de Responsabilidade Técnica) para cada projeto sob sua responsabilidade.

Quanto ganha (início/média/sênior)?

Júnior (0–3 anos): R$ 12.600–13.000. Pleno (3–7 anos): R$ 16.800–17.000. Sênior (7+ anos): R$ 21.750–22.000. Na Petrobras, o nível 806 tem base de R$ 13.664,76; com benefícios e PLR o pacote administrativo chega a ~R$ 23.014 e em regime de embarque offshore a ~R$ 30.776 (dados de 2026).

Precisa de registro no CREA para trabalhar?

Sim, é obrigatório. A Lei Nº 5.194/1966 exige registro no CREA da jurisdição de atuação. Sem o registro, o exercício da profissão é ilegal. Para emitir ARTs (documentos que atestam responsabilidade técnica em projetos), o registro ativo no CREA é indispensável.

É possível trabalhar remoto ou é necessário embarque offshore?

Depende da área. Engenheiros de reservatórios e consultores técnicos podem trabalhar remotamente ou em escritório. Engenheiros de produção, perfuração e completação frequentemente atuam em campo ou embarcados em plataformas offshore (escalas 14x14 ou 28x28 dias). O regime de embarque oferece remuneração total significativamente mais alta.

Quais certificações e habilidades são mais valorizadas?

Domínio de softwares de simulação de reservatórios (Petrel, Eclipse, CMG) e escoamento multifásico (PIPESIM, OLGA) são diferenciais competitivos. Inglês técnico fluente é praticamente obrigatório. Filiação à SPE (Society of Petroleum Engineers) e participação em eventos técnicos ampliam o networking. Certificações internacionais da SPE em avaliação de reservas também são valorizadas.

Fontes

Última revisão: 2026-06-02

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