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O que faz um(a) Físico(a)?

Também conhecido como: Physicist, Físico(a) Nuclear, Físico(a) Médico(a)

Em 1 minuto

O Físico aplica princípios, conceitos e métodos da Física para investigar fenômenos naturais, desenvolver tecnologias e solucionar problemas em setores que vão da medicina à energia nuclear. Atua em pesquisa científica, controle de radiação ionizante e não-ionizante, instrumentação, modelagem computacional e ensino superior.

O que faz um(a) Físico(a)

Principais responsabilidades

  • Planejar e executar experimentos em laboratório, validando hipóteses e medindo parâmetros físicos
  • Desenvolver e implementar modelos matemáticos e computacionais para simulação de fenômenos
  • Garantir a proteção radiológica e o uso seguro de radiação ionizante em ambientes médicos e industriais
  • Calibrar instrumentos de medição e assegurar rastreabilidade metrológica
  • Publicar resultados em periódicos e apresentar em conferências científicas
  • Colaborar com equipes multidisciplinares de engenharia, medicina e tecnologia

Entregáveis típicos

Relatórios técnicos e artigos científicosLaudos de proteção radiológicaModelos e simulações computacionaisPareceres técnicos de instrumentação e metrologiaProjetos de pesquisa e desenvolvimento (P&D)

Áreas de atuação e setores

Pesquisa Científica e TecnológicaFísica Médica e RadiodiagnósticoFísica Nuclear e ReatoresInstrumentação e MetrologiaAcústica e VibraçõesFísica Ambiental e ClimáticaModelagem Matemática e Finanças QuantitativasIndústria de Alta Tecnologia (semicondutores, lasers, fibras óticas)Energia (nuclear, renovável)Docência e Educação

Onde se trabalha

Universidades e Institutos de Pesquisa (CNPq, INCTs, INPE, CBPF)Hospitais e Clínicas (Física Médica)Eletronuclear / INB (energia nuclear)Indústria de Petróleo e Gás (Petrobras)Indústria de Semicondutores e EletroeletrônicaSetor Financeiro (quant finance, análise de dados)Órgãos de Metrologia e Normatização (Inmetro)Defesa e Aeroespacial (EMBRAER, FAB, INPE)

Formação e requisitos

Graduação
Bacharelado em Física
Duração
4 anos
Modalidade
Predominantemente presencial; laboratórios práticos a partir do 3º semestre, monografia de conclusão de curso e estágio obrigatórios conforme DCNs.
Exigência legal
A profissão de Físico é regulamentada pela Lei 13.691/2018, que exige registro prévio em conselho competente para o exercício profissional. O Conselho Federal de Física (CFFIS) está em processo de criação (PL 1802/2022). Professores e pesquisadores de física estão expressamente dispensados do registro e mantêm liberdade de exercício científico e docente.

Certificações relevantes

  • Residência em Física Médica (SBFM/CNEN) · Sociedade Brasileira de Física Médica (SBFM) / CNENAlta
  • Certificação em Proteção Radiológica · CNEN — Comissão Nacional de Energia NuclearAlta
  • Especialização em Física Médica · Universidades federais credenciadas (USP, UNICAMP, UFPE, UFMG)Alta
  • Certificação em Física de Reatores (IAEA Nuclear Energy Series) · Eletronuclear / CNEN (programas de capacitação interna)Média

Habilidades essenciais

Técnicas

  • Mecânica Clássica e Quântica
  • Eletromagnetismo e Óptica
  • Física Nuclear e Radioatividade
  • Programação científica: Python, MATLAB, Fortran
  • Métodos numéricos e simulação computacional
  • Estatística e análise de dados experimentais
  • Instrumentação e metrologia

Comportamentais

  • Pensamento analítico e resolução de problemas complexos
  • Rigor científico e atenção a detalhes
  • Comunicação técnica escrita e oral
  • Colaboração em equipes multidisciplinares
  • Persistência diante de resultados inconclusivos

Ferramentas

  • Python
  • MATLAB / Octave
  • ROOT
  • LaTeX
  • MCNP / Geant4
  • LabVIEW
  • Jupyter Notebook

Trajetória de carreira

  1. 1
    Jr
    Físico Júnior / Pesquisador Iniciante
    0–3 anos

    IC, mestrado em andamento, primeiros artigos e habilidades laboratoriais

  2. 2
    Pl
    Físico Pleno / Doutor
    3–8 anos

    Doutorado concluído, pós-doutorado, publicações em periódicos Qualis A

  3. 3
    Sr
    Físico Sênior / Professor Associado
    8–15 anos

    Bolsa produtividade CNPq, liderança de grupo de pesquisa, captação de financiamento

  4. 4
    Lead
    Pesquisador Titular / Físico Principal
    15+ anos

    Coordenação de INCTs, orientação de PhDs, referência nacional ou internacional na área

JúniorPlenoSêniorPrincipal

Carreira Acadêmica

  • IC → Mestrado → Doutorado → Pós-Doutorado → Docente/Pesquisador de universidade federal
  • Progressão por titulação e produção científica (Adjunto → Associado → Titular)
  • Financiamento via CNPq, CAPES, FAPs estaduais e agências internacionais

Física Médica e Nuclear

  • Bacharelado em Física → Residência em Física Médica (SBFM) → Hospital/Clínica de radioterapia
  • Ou: especialização em Física Nuclear → CNEN / Eletronuclear / INB
  • Registro profissional conforme Lei 13.691/2018

Física Aplicada à Indústria e Tecnologia

  • Mestrado em Física Aplicada ou Engenharia → P&D em empresas de semicondutores, lasers ou petróleo
  • Transição para finanças quantitativas (quant) com especialização em modelagem estatística
  • Indústria aeroespacial e defesa (INPE, EMBRAER, FAB)

Quanto ganha um(a) Físico(a)

NívelSalário médio (mês)Experiência
JúniorR$ 4.5000–2 anos; pós-graduação incompleta ou recém-formado
PlenoR$ 9.7822–5 anos; média do Físico Nuclear (CBO 213155) com jornada de 42h semanais
SêniorR$ 21.1565+ anos; teto salarial do Físico Nuclear (CBO 213155)

Média geral: R$ 10.872/mês · Fonte: Salario.com.br — Físico Nuclear (CBO 213155); Quero Bolsa — Físico Geral · Coleta: 2026-01

  • Salários variam significativamente conforme especialidade (Física Médica, Nuclear, Instrumentação) e tipo de instituição (universidade pública, indústria, órgão público)
  • Carreira acadêmica em universidade federal segue a tabela do Magistério Federal (Lei 12.772/2012) e pode ultrapassar R$ 15.000 com progressão completa
  • Físico Geral: média de R$ 10.871,67 (Quero Bolsa, 2026); piso do Físico Nuclear: R$ 1.961,42; reajuste 2025: 7,80%

Mercado e tendências

Crescimento anual
Estável a moderado
Vagas ativas
Concentradas em universidades públicas, hospitais e indústria nuclear
Tendência salarial
+7,8% reajuste 2025(Físico Nuclear, CBO 213155)
  • O mercado para físicos no Brasil é concentrado em carreira acadêmica e pesquisa pública (CNPq, CAPES, institutos federais), com absorção pela indústria ainda limitada em comparação a países como EUA e Alemanha
  • Física Médica é o segmento com maior demanda privada no Brasil, impulsionada pela expansão de clínicas de radioterapia e radiodiagnóstico
  • O setor de finanças quantitativas (bancos, gestoras de fundos) tem absorvido físicos com perfil analítico e domínio de modelagem estocástica
  • A transição energética e o crescimento das fontes renováveis criam demanda por físicos em modelagem climática e projetos de energia solar e eólica

Tendências para os próximos anos

Física Médica em expansão com crescimento de clínicas de radioterapia e medicina nuclear no Brasil
Demanda por físicos em computação quântica e desenvolvimento de hardware quântico (IBM, Google, startups nacionais)
Transição energética amplia mercado em modelagem de fontes renováveis e armazenamento de energia
Finanças quantitativas continuam absorvendo físicos com habilidades em modelagem estocástica e machine learning
Biofísica e física de sistemas biológicos ganham relevância com convergência entre Física e Ciências da Vida

Mitos e verdades

Mito

Físico só trabalha em universidade

Físicos atuam em hospitais (Física Médica), indústria nuclear (CNEN, Eletronuclear), petróleo (Petrobras), finanças quantitativas e empresas de tecnologia, além da academia.

Mito

Licenciatura em Física é a mesma coisa que bacharelado

São cursos distintos. A licenciatura forma professores para educação básica. O bacharelado forma o Físico habilitado pela Lei 13.691/2018 para exercer as atribuições profissionais técnicas e de pesquisa.

Verdade

Doutorado é quase obrigatório para carreira acadêmica plena

Para ingressar como docente em universidade federal e ter acesso a bolsas de produtividade do CNPq, o título de doutor é exigido. Mestrado pode ser suficiente para algumas posições técnicas na indústria.

Mito

O salário de Físico é sempre baixo

Depende do setor. Físicos em Física Médica ou finanças quantitativas podem superar R$ 15.000. A média do Físico Nuclear (CBO 213155) é de aproximadamente R$ 9.782, com teto acima de R$ 21.000 (Salario.com.br, 2026).

Como começar

  1. 1Cursar Bacharelado em Física em universidade com grupo de pesquisa ativo (USP, UNICAMP, UFRJ, UFMG, UNESP)
  2. 2Iniciar Iniciação Científica (IC) com bolsa CNPq ou FAPESP ainda no 2º ano da graduação
  3. 3Dominar programação científica em Python e ter primeiro repositório público com análise de dados
  4. 4Definir área de especialização (Física Médica, Nuclear, Matéria Condensada, etc.) até o 3º ano
  5. 5Candidatar-se a mestrado e doutorado em programas conceito 6 ou 7 (CAPES) para carreira acadêmica ou P&D
  6. 6Para Física Médica: buscar residência em Física Médica (SBFM/CNEN) após a graduação

Quem já trabalha na área

Escolhi Física Médica logo no 2º ano da graduação e investi numa iniciação científica em dosimetria. Após a residência, consegui atuar em radioterapia num hospital de referência em SP. A área une rigor científico e impacto direto na vida dos pacientes — cada laudo que emito tem consequência real.
Beatriz CavalcanteFísica Médica · São Paulo-SP
Conclui o doutorado na UNICAMP e fiz pós-doutorado na Alemanha. Ao retornar ao Brasil, ingressei como professor adjunto numa federal. O caminho é longo — são pelo menos 10 anos de formação —, mas a liberdade de escolher o problema que você quer resolver não tem preço.
Rodrigo FonsecaPesquisador em Física de Matéria Condensada · Campinas-SP
Meu mestrado era em mecânica estatística e nunca imaginei trabalhar no mercado financeiro. Mas as habilidades em modelagem estocástica e programação em Python abriram uma porta inesperada. Hoje construo modelos de precificação de derivativos e a formação em Física foi o meu maior diferencial.
Tatiana MendesFísico Quantitativo (Quant) em gestora de fundos · Rio de Janeiro-RJ

Perguntas frequentes

O que faz um(a) Físico(a) no dia a dia?

Depende da área de atuação. Na pesquisa acadêmica, o físico planeja experimentos, analisa dados, redige artigos e orienta alunos. Na Física Médica, opera equipamentos de radioterapia e radiodiagnóstico, emite laudos de proteção radiológica e calibra equipamentos. Na indústria, desenvolve modelos computacionais, realiza metrologia e P&D em materiais e tecnologias. Em finanças, cria modelos quantitativos para precificação de ativos e gestão de risco.

Quanto ganha um(a) Físico(a) no Brasil?

A média geral é de aproximadamente R$ 10.872 (Quero Bolsa, 2026). Físico Nuclear (CBO 213155) tem média de R$ 9.782 com piso de R$ 1.961 e teto acima de R$ 21.156 (Salario.com.br, 2026). Físicos em início de carreira ganham em torno de R$ 4.500; seniores com especialidade em Física Médica ou finanças quantitativas podem ultrapassar R$ 15.000–21.000. Docentes de universidade federal seguem a tabela do Magistério Federal (Lei 12.772/2012).

Precisa de registro no conselho para trabalhar como Físico?

Sim, a Lei 13.691/2018 exige registro em conselho competente para o exercício profissional da Física. O Conselho Federal de Física (CFFIS) está em processo de criação via PL 1802/2022. Há exceção expressa na lei para professores e pesquisadores de física, que mantêm liberdade de exercício científico e docente sem necessidade de registro.

Bacharelado ou licenciatura em Física: qual escolher?

O bacharelado forma o Físico habilitado para pesquisa, indústria e as atribuições da Lei 13.691/2018 (como trabalhar com radiação ionizante). A licenciatura forma professores para a educação básica. Se o objetivo é pesquisa, Física Médica, indústria ou P&D, escolha o bacharelado. Se o objetivo é lecionar no ensino médio, a licenciatura é a via correta.

Vale a pena fazer mestrado e doutorado em Física?

Para carreira acadêmica, o doutorado é praticamente obrigatório — universidades federais exigem título de doutor para ingresso como docente. Para Física Médica, a residência ou especialização pós-graduada é altamente recomendada. Para indústria e finanças, o mestrado já abre portas, especialmente em modelagem computacional e análise de dados. Bolsas CNPq e CAPES reduzem o custo da pós-graduação em programas públicos.

Fontes

Última revisão: 2026-06-02

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