O que faz um(a) Arquivista
Principais responsabilidades
- Planejar e implantar sistemas de classificação e avaliação de documentos
- Elaborar tabelas de temporalidade e planos de classificação documental
- Garantir a preservação de documentos físicos e digitais (gestão de suportes, acondicionamento, controle ambiental)
- Coordenar processos de digitalização e indexação de acervos
- Assegurar o cumprimento da LAI (Lei n° 12.527/2011) e da LGPD (Lei n° 13.709/2018)
- Elaborar normas, manuais e políticas de gestão documental institucional
- Atender demandas de acesso à informação de cidadãos, pesquisadores e órgãos internos
Entregáveis típicos
Áreas de atuação e setores
Onde se trabalha
Formação e requisitos
- Graduação
- Bacharelado em Arquivologia
- Duração
- 4 anos
- Modalidade
- Presencial (UFSM, UNIRIO e outras federais) e EAD (UNIASSELVI, UniCV, IERGS). Há 16 cursos superiores de Arquivologia em funcionamento no Brasil, distribuídos nas regiões Sul, Sudeste, Nordeste, Norte e Centro-Oeste.
- Exigência legal
- O exercício da profissão de Arquivista é regulamentado pela Lei n° 6.546/1978 e pelo Decreto n° 82.590/1978. O registro profissional é realizado na Superintendência Regional do Trabalho e Emprego (SRTE) do Ministério do Trabalho. Exige-se diploma de curso superior de Arquivologia reconhecido pelo MEC, ou comprovação de experiência mínima de 5 anos ininterruptos (ou 10 anos intercalados) em atividades arquivísticas. Não há conselho de classe regulador próprio: o órgão orientador do setor é o CONARQ (Conselho Nacional de Arquivos), de natureza governamental.
Certificações relevantes
- Especialização em Gestão de Documentos e Arquivos · UNIRIO / CONARQ (cursos parceiros)Alta
- Certificação em Privacidade e Proteção de Dados (LGPD) · EXIN / IAPPAlta
- Curso de Preservação Digital · Arquivo Nacional / plataformas EAD oficiaisMédia
Habilidades essenciais
Técnicas
- Teoria e prática arquivística (classificação, avaliação, descrição)
- Gestão de documentos eletrônicos e sistemas GED/ECM
- Normas de preservação e conservação de acervos
- Legislação: LAI, LGPD, decreto de sigilo e normas do CONARQ
- Elaboração de tabelas de temporalidade e planos de classificação
- Digitalização e metadados (padrões Dublin Core, EAD, ISAD-G)
Comportamentais
- Atenção a detalhes e precisão
- Organização e senso de prioridade
- Comunicação escrita clara
- Discrição e ética no trato de informações sigilosas
- Capacidade de trabalho autônomo e em equipe
Ferramentas
- Sistemas GED/ECM
- Archivematica
- ICA-AtoM / AtoM
- MS Excel / Google Sheets
- Plataformas de digitalização
- SEI (Sistema Eletrônico de Informações) — padrão no setor público federal
Trajetória de carreira
- 1JrJúnior0–3 anos
Organização de acervos, catalogação e suporte à gestão documental
- 2PlPleno3–6 anos
Coordenação de projetos de digitalização, elaboração de TTD e planos de classificação
- 3SrSênior6–12 anos
Políticas institucionais de gestão documental, assessoria técnica e conformidade legal
- 4LeadGestor(a) / Coordenador(a)12+ anos
Direção de serviços arquivísticos, formulação de política arquivística e liderança de equipes
Setor Público
- Estágio em arquivo federal/estadual → Arquivista concursado(a) → Coordenador(a) de Acervo → Diretor(a) de Arquivo
- Especialização em gestão pública e preservação de patrimônio histórico
Setor Privado / Consultor(a)
- Analista de gestão documental → Especialista GED/ECM → Consultor(a) independente
- Foco em compliance documental, LGPD e transformação digital
Quanto ganha um(a) Arquivista
| Nível | Salário médio (mês) | Experiência |
|---|---|---|
| Júnior | R$ 2.606 | Até 3 anos de experiência |
| Pleno | R$ 3.600 | 3–6 anos de experiência |
| Sênior | R$ 4.800 | Acima de 6 anos de experiência |
Média geral: R$ 3.400/mês · Fonte: Salário.com.br — CBO 261305 · Coleta: 2026-01
- Portal Salário.com.br referencia faixa geral de R$ 3.928–3.933 para CBO 261305; faixas por senioridade são estimativas editoriais progressivas
- Setor público (arquivos federais, estaduais, tribunais) pratica remuneração via concurso, em geral acima da média privada
- Dados de senioridade detalhados requerem acesso pago ao portal; faixas acima são estimativas baseadas nas informações disponíveis
Mercado e tendências
- Demanda crescente no setor público: tribunais, universidades federais e ministérios abrem concursos com frequência para Arquivista
- LGPD e LAI ampliaram a relevância do arquivista no setor privado, especialmente em saúde, jurídico e financeiro
- Transformação digital (GED, preservação digital, digitalização em massa) gera novas oportunidades e exige atualização contínua
- Profissão com mercado estável, porém de menor volume de vagas em relação a outras áreas; diferencial está na especialização técnica e em nicho setorial
Tendências para os próximos anos
Mitos e verdades
Arquivista é o mesmo que técnico de arquivo ou office boy de documentos
Arquivista é profissão de nível superior regulamentada pela Lei n° 6.546/1978, com atribuições privativas de planejamento, organização e direção de serviços arquivísticos. Técnico de Arquivo é nível médio, com funções auxiliares distintas.
Com a digitalização, o arquivista está desaparecendo
A transformação digital ampliou a demanda pelo arquivista, que passou a atuar em preservação digital, sistemas GED/ECM e conformidade com LGPD e LAI. Documentos digitais também precisam de gestão arquivística especializada.
A maioria das vagas de Arquivista está no setor público
Tribunais, universidades federais, arquivos nacionais e estaduais e prefeituras são os maiores empregadores da categoria, com acesso predominantemente via concurso público.
Não é necessário registro profissional para exercer a arquivologia
O Decreto n° 82.590/1978 exige registro na Superintendência Regional do Trabalho e Emprego (SRTE) para o exercício legal das atividades privativas de Arquivista.
Como começar
- 1Ingressar em curso de Bacharelado em Arquivologia (presencial ou EAD reconhecido pelo MEC)
- 2Realizar estágios em arquivos públicos, tribunais ou setor de gestão documental corporativa
- 3Registrar-se na SRTE após conclusão da graduação para exercício legal da profissão
- 4Dominar ao menos um sistema GED/ECM e os padrões de descrição arquivística (ISAD-G)
- 5Participar de eventos da área (CONARQ, associações de arquivistas estaduais) e construir rede profissional
- 6Para o setor público: preparar-se para concursos de Arquivista em tribunais, universidades federais e ministérios
Quem já trabalha na área
“Entrei no Arquivo Nacional como estagiária durante a graduação na UnB e fui efetivada após concurso. O que mais me surpreendeu foi a relevância estratégica do cargo: documentos históricos e administrativos são a memória institucional do país, e o arquivista é quem garante que essa memória seja acessível e preservada.”
“Depois de 5 anos em arquivo universitário, migrei para o setor privado como consultor de implantação de GED. A LGPD abriu um mercado enorme: empresas de saúde e financeiras precisam urgentemente organizar seus documentos. Hoje ganho bem acima da média e trabalho de forma híbrida.”
“Formei-me na UFPE e passei em concurso para o Tribunal Regional Federal. O diferencial que me colocou à frente nos processos seletivos foi dominar a tabela de temporalidade e conhecer o SEI a fundo. Arquivologia é uma área que exige precisão técnica, mas oferece estabilidade e crescimento consistente.”
Perguntas frequentes
O que faz um(a) Arquivista no dia a dia?
O arquivista planeja e implementa sistemas de classificação de documentos, elabora tabelas de temporalidade, coordena digitalização de acervos, preserva documentos físicos e digitais, garante o cumprimento da Lei de Acesso à Informação (LAI) e da LGPD, e atende demandas de acesso de pesquisadores, cidadãos e gestores. No setor público, atua em arquivos nacionais, tribunais e universidades; no setor privado, em gestão documental corporativa e compliance.
Quanto ganha um(a) Arquivista (início/média/sênior)?
Segundo Salário.com.br (CBO 261305, consulta em 2026), a média geral estimada é de R$ 3.400, com faixa Júnior em torno de R$ 2.606 e Sênior acima de R$ 4.800. Profissionais no setor público, especialmente em tribunais e arquivos federais aprovados em concurso, costumam receber acima dessas faixas. A remuneração cresce com especialização em GED, preservação digital e gestão de compliance.
Precisa de registro profissional para ser Arquivista?
Sim. O Decreto n° 82.590/1978, que regulamenta a Lei n° 6.546/1978, exige registro na Superintendência Regional do Trabalho e Emprego (SRTE) para o exercício das atividades privativas de Arquivista. O requisito é diploma de graduação em Arquivologia reconhecido pelo MEC, ou comprovação de experiência mínima de 5 anos ininterruptos na área. Não há conselho de classe próprio: o CONARQ é órgão governamental orientador, não regulador.
Arquivista pode trabalhar de forma remota?
Parcialmente. Atividades como elaboração de instrumentos de pesquisa, análise de metadados, consultoria de gestão documental e trabalho em sistemas GED/ECM são compatíveis com home office. No entanto, tratamento de acervos físicos, digitalização presencial e atendimento em arquivos exigem presença. O trabalho híbrido é cada vez mais comum no setor privado.
Qual a diferença entre Arquivista e Bibliotecário(a)?
Ambas são profissões da área de Ciências da Informação, mas com objetos distintos. O arquivista trabalha com documentos produzidos organicamente por instituições (provas de atividades administrativas, jurídicas, históricas), enquanto o bibliotecário organiza coleções bibliográficas para acesso e mediação da leitura. O arquivista é registrado na SRTE; o bibliotecário, no CRB (Conselho Regional de Biblioteconomia).
Fontes
- Lei n° 6.546/1978 — Regulamentação da profissão de Arquivista
- Decreto n° 82.590/1978 — Regulamenta a Lei n° 6.546/1978
- CONARQ — Conselho Nacional de Arquivos
- Cursos de Arquivologia no Brasil — CONARQ
- CBO 261305 — Arquivista (Ocupações.com.br)
- Salários Arquivista 2026 — Salário.com.br
Última revisão: 2026-06-02